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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O mundo de sonhos de Chiho Aoshima

Strawberry Fields - Chiho Aoshima 2003

Chiho Aoshima é uma artista contemporânea japonesa que nasceu na cidade de Tóquio em 1974. A sua pintura identifica-se muito com o Pop Art, Simbolismo e Surrealismo. Frequentou a Hosei University, de Tóquio e foi artista residente na Art Pace em San Antonio, EUA, em 2006. Actualmente vive e trabalha em Tóquio.

Chiho Aoshima exhibition at Gloucester Road tube station - London

Esta jovem artista gráfica começou a sua educação artística nos estúdios de Takashi Murakami (fundador do movimento pós-moderno Superflat) sem formação artística formal. Mais tarde, 1999, inicia exposições colectivas, seguindo-se as individuais por todo o globo. 
Os seus trabalhos envolvem muitas vezes cenas de sonhos e paisagens surreais, incluindo fantasmas, demónios, natureza e jovens mulheres. 
Aoshima imprime imagens em grande escala, utilizando impressoras profissionais de grande porte,  principalmente em papel, mas também recorrendo a materiais como couro e superfícies em plástico, dando assim diferentes texturas aos seus trabalhos. Recentemente, 'descobre' a escultura e a animação aliadas a uma crescente projecção internacional.

We are battered by nature, we are loved by nature - Chiho Aoshima 2007

"My work feels like strands of my thoughts that have flown around the universe before coming back to materialise." 


FerdoS

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Louise Bourgeois...a mulher-aranha.


Nascida em Paris, no dia de Natal de 1911, e residente em Nova York desde 1938, Louise Bourgeois foi uma das maiores artistas da segunda metade do século XX e início de XXI. O seu trabalho, que tem percorrido o Surrealismo, o Expressionismo Abstracto e o Minimalismo, oscilando entre a geometria abstracta e realidade orgânica, escapa a todas as tentativas de classificação artística. Ela desenhou, pintou, esculpiu, criou enormes instalações, gravuras e um infinito número de objectos, utilizando todos os tipos de formas e materiais (madeira, papel, metal, látex, tecido, mármore, etc).

"De forma a expressar as insustentáveis tensões familiares, eu tinha de expressar a minha ansiedade em formas que eu pudesse modificar, destruir, e reconstruir"


Baseada na sua memória, emoção e reativação das lembranças de infância (fala muitas vezes na sua mãe protectora, daí a sua aranha gigante), Louise Bourgeois seguiu uma abordagem subjetiva, trazendo para a arte conceitos feministas e psicológicos antes de estes fazerem parte da cultura popular, marcando as suas exposições por uma intensidade emocional e erótica.

"A 'Aranha' é uma ode à minha mãe que era a minha melhor amiga. Como uma aranha, minha mãe era uma tecedeira. A minha família restaurava tapetes e a minha mãe dirigia a oficina. Como as aranhas, minha mãe era muito inteligente. Aranhas são presenças amigas que comem mosquitos. Sabemos que os mosquitos espalham doenças e são por isso indesejáveis. As aranhas ajudam e protegem, tal como minha mãe".


Em 1949 realizou a sua primeira exposição de escultura e, nos anos de 60 e 70, os seus conteúdos tornaram-se mais sexualmente explícitos. O seu trabalho começou a ser apreciado e reconhecido na década de 70 como resultado da mudança de atitude em relação ao feminismo e ao pós-modernismo. Em 1992 desenhou o pavilhão americano na Bienal de Veneza e participou na Documenta 9 em Kassel.
A sua obra está presente nas coleções de museus como o British Museum, Londres, Guggenheim Museum, Nova Iorque e Bilbau, Kunstmuseum Basel, Basileia, Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, Tate Gallery, Londres ou o Whitney Museum of American Art, Nova Iorque.
Louise Bourgeois morreu, calma e serenamente, em Nova Iorque, a 31 de Maio de 2010 com... 98 anos!

FerdoS

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Kush...Um Surrealismo Contemporâneo.


Vladimir Kush nasceu em Moscovo em 1965. Começou a sua carreira artística aos três anos quando, sentado ao colo do pai, Oleg – matemático com tendência artísticas -, o ajudava a terminar os seus desenhos. Oleg apercebeu-se do talento do filho e encorajou-o desde o início. Ao mesmo tempo, e à medida que o rapaz crescia, ia-lhe dando a ler livros de Júlio Verne, Jack London e Herman Melville para lhe proporcionar uma forma de viajar para além dos subúrbios cinzentos onde viviam.


Vladimir Kush cresceu e identificou-se com o movimento do realismo metafórico.
Experimentou vários estilos do impressionismo depois de ver a obra completa de Salvador Dalí nos anos 80. Tornou-se então um pintor surrealista e escultor em rápida ascensão.


Em plena guerra fria foi convidado para pintar uma série de retratos para a embaixada norte-americana, levantando suspeitas de envolvimento com o ocidente. Em 1990 atinge um enorme sucesso numa exposição em Los Angeles, começando então a sua odisseia americana. O sonho de vaguear pelos grandes espaços abertos levam-no a viver no umbigo do mundo, a ilha de Maui no Havai, pois toda a sua vida e inspiração estão intimamente ligadas ao mar.


Recordemos as suas palavras:
'As pinturas realistas mostram os limites de cada artista e ensinam ao visionário que cada um tem em si que as metáforas das imagens impossíveis exploram as camadas do sentimento.'

E, nas minhas, direi... É EXCELENTE!

Ferdos

terça-feira, 25 de maio de 2010

Define Moshe Shagal...


Moshe Shagal criou o seu próprio mundo, colorido de mitos e magia, cheio de estranhas criaturas e eventos miraculosos... Ainda assim, os seus trabalhos foram essencialmente baseados em memórias e experiências reais, que ele transmutou no caldeirão da sua imaginação. 
O Fauvismo e o Surrealismo, em particular, influenciaram as cores profundas do seu estilo, mas à arte popular russa foi buscar a fantasia e a simplicidade dos temas. 
Um homem quase inteiramente absorvido pelo seu trabalho e vida familiar, destinado a confrontar-se com as mais variadas culturas, a atravessar guerras e revoluções e a passar por fugas e também o exílio. 


Nasceu a 7 de Julho de 1887 no seio de uma família pobre em Pestkovatik, uma vila na província ocidental da Rússia czarista e que pertence agora à independente Bielorrússia. Poucos anos depois, os Shagal mudaram-se para uma cidade próxima, Vitebsk, e que se tornaria um dos principais marcos nos quadros de Moshe, o mais velho de nove filhos, nome mais tarde transformado para o francês como Marc Chagall. Cresceu na atmosfera fechada de uma comunidade judia da Europa Oriental que ainda era sujeita a perseguições. Inevitavelmente, o facto de Chagall ser judeu tornou-se uma das principais ameaças à sua vida e arte.


Muda-se para São Petersburgo, onde irá estudar, e após vários anos começa a ganhar reputação quando um patrocinador generoso, Max Vinaver, fornece-lhe os recursos para que se possa estabelecer em Paris, na época a indiscutível capital da arte do mundo ocidental.
Com Picasso, Braque e outros , Chagall explora técnicas modernistas, o Cubismo e as suas ramificações estavam a revolucionar as artes visuais , mas nunca abandonando a sua tónica pessoal. 
A Cidade Luz tornou-se a "Segunda Vitebsk" de Chagall. Em 1914, quando estava em visita à Rússia, rebentou a Primeira Guerra Mundial, e ele não pôde voltar a Paris. No ano seguinte casa-se com Bella Rosenfeld, a sua noiva desde 1909, celebrando o seu amor em uma série notável de obras que continuou a pintar mesmo após a morte da sua musa, trinta anos depois.


Regressa a Paris e em 1923 recebe do famoso comerciante francês Ambroise Vollard a encomenda de ilustrar uma clássica novela russa, Almas Mortas de Gogol. Ilustra posteriormente as Fábulas de La Fontaine e a Bíblia... Anos dourados se seguiram. Naturaliza-se francês e pouco depois inicia-se a Segunda Grande Guerra, mas Chagall demora a perceber o perigo de sua posição como judeu e como um artista condenado pelos nazis como "degenerado". Foi mesmo preso em abril de 1941, mas libertado graças à intervenção norte-americana, e apressadamente partiu para o exílio uma segunda vez, passando os anos da guerra nos Estados Unidos. Súbita morte de Bella, em 1944.  Volta a França em 1948, estabelecendo-se definitivamente no sul. Embora tenha viajado muito, os dias de fuga e exílio haviam acabado.
O resto da longa vida de Chagall foi devotado a uma criatividade imensurável. Morreu com 97 anos, em 29 de março de 1985 em Saint-Paul-de-Vance, na Riviera Francesa.


Recordemos Moshe assim:
'Chagall criou um mundo sem densidade nem peso físico, sobrenatural, com base em elementos líricos como ramos de flores, pares de namorados, violinos e artistas de circo flutuando através do espaço e do tempo.'

(Deux de ces peintures sont les photos prises par ma Pocket Girl, dans le Pompidou)

FerdoS

domingo, 25 de outubro de 2009

Enock Surreal...



Enock Surreal...
Sim, intitulei-o assim.
Talvez devido ao seu trabalho no crú pano,
talvez pelo seu ensino transcendental, talvez...
Silêncios interiores ou equilibrio das cores.
Imposição de mãos ou meditações em movimento.
So che siete!
Grande amigo e companheiro de 'viagens',
fossem elas centúrianas em espadas
ou poéticas em copas, mas sempre presentes e passadas...
Realidade irreal, pincelada num futuro crente...  
Sapere!




Dedicatória curta para um mestre-cavaleiro,
de tintas ou palavras, de forças e certezas,
que um dia ergueu o seu templo, o seu Acreditar,
bem no epicentro do amor que o iria encontrar.
Vero! 
Nas surreais ou expressionistas telas, nas páginas amarelecidas,
 na ponta de uma tesoura ou no gume de uma Gladius...Criemos!
Seja na Terra, no Ar, na Água ou no Fogo,
criemos o Quinto Elemento!
 E que o seu templo possa para sempre perdurar!
Grazie compagno per tutti i tempi. 

FerdoS



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Maximizando Ernst...



Autodidacta e grande seguidor da corrente Surrealista,
da qual nunca se haveria de separar completamente,
o pintor e escultor alemão Max Ernst acaba por seguir o Dadaísmo,
(movimento non-sense criado na Suiça por escritores e artistas)
sendo fundador do grupo Dada em Colónia.

 

Além de pintor e escultor, este estudante de Filosofia e Psicologia
também se dedicou à poesia e arte gráfica,
sendo o criador de duas técnicas que ficariam conhecidas
como Frottage e Grattage, ambas ligadas ao Surrealismo.

 

 Muda-se para França e após a ocupação desta,
em plena Segunda Grande Guerra,
Ernst é perseguido pelas forças Alemãs e foge para os E.U.América
com a ajuda de Peggy Guggenheim, coleccionadora e futura esposa.
Este novo mundo inspira-o no emergente movimento pós-guerra
conhecido como Expressionismo Abstracto.
Acabaria por regressar e falecer em Paris.

 

Tive a felicidade de ver um pouco da sua abrangente obra em Paris,
mais própriamente no Centre George Pompidou em 1998,
tendo sido dedicada uma das enormes salas ao seu vasto trabalho.
Já conhecia anteriormente a sua obra e ao contemplar a sua mestria
ao vivo, garanto-vos que fiquei deliciosamente fascinado!
Um dos meus Eleitos, sem dúvida!

FerdoS

 


domingo, 11 de outubro de 2009

Encontro com Tapies...



Referência para mim e senhor de deliciosas texturas,
começou a sua carreira por copiar obras de Picasso e Van Gogh.
Com uma enorme mestria na pintura e colagens,
utilizando os mais diversos materiais,
como corda, papéis, pó de mármore, mobiliário ou roupa,
o catalão Antoni Tapies percorre as correntes do Surrealismo,
do Informalismo Europeu e da Arte Povera.
Correntes que também identifico em mim.



 Em 1990 inaugura a sua Fundação Antoni Tapies em Barcelona,
local que tentei visitar em 2008,
mas encerrado estava, em obras constatei.
'Reencontrei-o' novamente no George Pompidou pouco tempo depois,
não trocámos palavras, nem gestos de afeição,
mas senti o seu sentir e o momento foi de enorme satisfação.
Voltarei brevemente para uma nova tentativa.
Promessa feita!

FerdoS