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quarta-feira, 14 de março de 2012

Encontro em Montmartre...


Hoje fui a Montmartre... apeteceu-me revisita-la para um encontro.
Não existe outro lugar onde Paris seja mais parecida com a Paris que uma parte de mim ainda recorda. As ladeiras da “colina” com infindáveis escadas. Dezenas de cafés e pequenos restaurantes com mesinhas nas calçadas. Museus e artistas pintando nas ruas. Essa Paris, sim...
Recordo a viragem de século, XIX para XX, onde esse bairro era o local por excelência da vida boémia de Paris. Existiam ateliers de pintores como Renoir ou Picasso. Residências e frequentes visitas de alguns ilustres 'desconhecidos'. Degas, Cezanne, Monet e Van Gogh seriam alguns deles. As dançarinas mostravam as coxas no Moulin Rouge e faziam agrados a quem pudesse pagar, enquanto Tolouse-Loutrec caricaturava tudo e todos sem um simples esboçar de misericórdia.
O lugar era a noite perfeita da Paris da Belle Époque.

 

A história da 'Colina' já aqui foi contada recentemente, bem como do seu sagrado Taj Mahal parisense. 
Eu disse Taj Mahal?!... Bom, talvez uma influência do orientalismo que se respirava na Europa nessa segunda metade do século XIX.
Mas, Montmartre é um misto de sensações. Ora de descoberta nossa, interior, ora de descoberta sua, exterior. Instantes de contemplação num déjà vu secular.
A modelo, sentava. A artista, pintava. A turista, passeava.
O café, pousado na chávena do Cher Eugéne, o cinzeiro metálico e o mapa da cidade-luz, seriam apenas o mais belo pretexto para um encontro... O Encontro...
O meu próprio (re)encontro em Montmartre.

 

Words and photos (2008) by FerdoS

terça-feira, 25 de maio de 2010

Define Moshe Shagal...


Moshe Shagal criou o seu próprio mundo, colorido de mitos e magia, cheio de estranhas criaturas e eventos miraculosos... Ainda assim, os seus trabalhos foram essencialmente baseados em memórias e experiências reais, que ele transmutou no caldeirão da sua imaginação. 
O Fauvismo e o Surrealismo, em particular, influenciaram as cores profundas do seu estilo, mas à arte popular russa foi buscar a fantasia e a simplicidade dos temas. 
Um homem quase inteiramente absorvido pelo seu trabalho e vida familiar, destinado a confrontar-se com as mais variadas culturas, a atravessar guerras e revoluções e a passar por fugas e também o exílio. 


Nasceu a 7 de Julho de 1887 no seio de uma família pobre em Pestkovatik, uma vila na província ocidental da Rússia czarista e que pertence agora à independente Bielorrússia. Poucos anos depois, os Shagal mudaram-se para uma cidade próxima, Vitebsk, e que se tornaria um dos principais marcos nos quadros de Moshe, o mais velho de nove filhos, nome mais tarde transformado para o francês como Marc Chagall. Cresceu na atmosfera fechada de uma comunidade judia da Europa Oriental que ainda era sujeita a perseguições. Inevitavelmente, o facto de Chagall ser judeu tornou-se uma das principais ameaças à sua vida e arte.


Muda-se para São Petersburgo, onde irá estudar, e após vários anos começa a ganhar reputação quando um patrocinador generoso, Max Vinaver, fornece-lhe os recursos para que se possa estabelecer em Paris, na época a indiscutível capital da arte do mundo ocidental.
Com Picasso, Braque e outros , Chagall explora técnicas modernistas, o Cubismo e as suas ramificações estavam a revolucionar as artes visuais , mas nunca abandonando a sua tónica pessoal. 
A Cidade Luz tornou-se a "Segunda Vitebsk" de Chagall. Em 1914, quando estava em visita à Rússia, rebentou a Primeira Guerra Mundial, e ele não pôde voltar a Paris. No ano seguinte casa-se com Bella Rosenfeld, a sua noiva desde 1909, celebrando o seu amor em uma série notável de obras que continuou a pintar mesmo após a morte da sua musa, trinta anos depois.


Regressa a Paris e em 1923 recebe do famoso comerciante francês Ambroise Vollard a encomenda de ilustrar uma clássica novela russa, Almas Mortas de Gogol. Ilustra posteriormente as Fábulas de La Fontaine e a Bíblia... Anos dourados se seguiram. Naturaliza-se francês e pouco depois inicia-se a Segunda Grande Guerra, mas Chagall demora a perceber o perigo de sua posição como judeu e como um artista condenado pelos nazis como "degenerado". Foi mesmo preso em abril de 1941, mas libertado graças à intervenção norte-americana, e apressadamente partiu para o exílio uma segunda vez, passando os anos da guerra nos Estados Unidos. Súbita morte de Bella, em 1944.  Volta a França em 1948, estabelecendo-se definitivamente no sul. Embora tenha viajado muito, os dias de fuga e exílio haviam acabado.
O resto da longa vida de Chagall foi devotado a uma criatividade imensurável. Morreu com 97 anos, em 29 de março de 1985 em Saint-Paul-de-Vance, na Riviera Francesa.


Recordemos Moshe assim:
'Chagall criou um mundo sem densidade nem peso físico, sobrenatural, com base em elementos líricos como ramos de flores, pares de namorados, violinos e artistas de circo flutuando através do espaço e do tempo.'

(Deux de ces peintures sont les photos prises par ma Pocket Girl, dans le Pompidou)

FerdoS

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

...como algo que provoca extremo prazer!


Passado.
Estamos em 1980. Atrevendo-se a enveredar por um negócio com forte concorrência, um jovem com apenas 18 anos, deixa de ser um simples coleccionador de Comics e abre a sua livraria, completamente dedicada a essa temática.
Quatro anos depois, e após conhecer as atribulações próprias de qualquer negócio, Benedikt adquire 40 mil exemplares de um livro sobre Magritte. Foi um êxito total, o que tirou a empresa de apuros e abriu caminho a nova política editorial. Um ano depois é publicado o primeiro título de arte, da série de pequenas dimensões, dedicado a Picasso.
Desde aí, a Taschen conheceu um êxito internacional, com um slogan muito convidativo:
“ Nunca as obras de arte custaram tão pouco”


Presente.
Benedikt Taschen têm quarenta e muitos anos, cabeça raspada, irónico até o último fio de cabelo, é milionário a ponto de morar numa mansão em Colónia e ostentar uma das mais respeitadas colecções europeias de arte contemporânea. Paradoxalmente, abomina gastar dinheiro com automóveis e tem uma relação algo desligada com a moda.
Actualmente, a Taschen, publica em mais de 20 idiomas e já possui livrarias próprias e edita, com especial notoriedade para a Arte, Fotografia, Design e Arquitectura, lançando para o mercado os mais diversos temas, sejam eles sexo, poesia,  cenas dos filmes de Stanley Kubrick, fotos feitas com máquinas Polaroid, o interior das casas suecas e o exterior das obras de Frank Lloyd Wright. São livros que podem exibir porcelanas da dinastia Ming mas também brinquedos de latão da antiga Alemanha Oriental. A regra, se é que ela existe, é única: os volumes devem ser atraentes. De resto, vale tudo.  
“Quem gosta de ver livros certamente os lerá em seguida”.


Quando induzido a comentar o tom sempre provocativo do catálogo, ele simplesmente responde: “Não creio que seja assim, a não ser que entendamos a expressão provocativa como algo que provoca extremo prazer”.
Como diria Fernando Pessa 'E esta hein?!'
...
E o futuro?
O futuro... Bom, esse aos Deuses do Olimpo pertencerá!

FerdoS

sábado, 16 de janeiro de 2010

Números y Constelaciones en el Amor con una Mujer...



Situada no alto do Parque Montjuic, temos a sua fundação, a Fundació Joan Miró. Local que tentei visitar por duas vezes e que, por não pontualidade inglesa, me deixou apenas na entrada. Os seguidores de Evão e Ada lembrar-se-ao d'Una Ponte Catalan. Mas hoje falamos aqui do artista e não da sua fundação e muito menos das minhas assincronias...
...
Estávamos no ano de 1893 e na bela Barcelona nasceria um filho de relojoeiro que se viria a tornar um dos maiores artistas plásticos do Século XX. E como nem sempre filho de peixe sabe nadar, Joan foi pressionado desde tenra idade para seguir o oficio de família, desagradando-o e colocando-lhe uma enorme depressão em cima. - "Comum nos grandes artistas!" - Sim, tens razão.
A doença obrigou-o a deslocar-se para Tarragona, onde se dedicaria inteiramente à pintura, e aonde voltaria, mais tarde, frequentemente em busca de inspiração. Frequentou a Escola de Belas-Artes da capital catalã e a Academia de Gali. Em 1919, depois de completar os seus estudos, visitou Paris, onde entrou em contacto com as tendências modernistas como os Fauvismo e Dadaísmo. Acaba por se instalar em Paris onde encontra Picasso, Maurice Raynal, Reverdy, Trisan Tzara e Max Jacob. Após um período caracterizado por um intenso realismo, acaba por conhecer o fundador do movimento em que trabalharia toda a vida, André Breton, entre outros artistas surrealistas, participando na primeira exposição surrealista em 1925. Trabalhou no mundo do teatro e da dança, iniciando-se com a cenografia, juntamente com Max Ernst, de Romeu e Julieta para o Ballet Russo.

 

A mente de Miró mostrou-se muito criativa ao longo de sua vida. Durante os seus estudos de arte treinava, por orientação dos seus professores, a desenhar objectos que conhecia apenas através do tacto. De olhos vendados, era-lhe dado um objecto e depois desenhava-o para se libertar da aparência real das coisas. Também treinava pintando paisagens gravadas na sua mente. Por vezes, percorria um novo lugar, observava-o e depois voltava para o atelier para começar a trabalhar. Talvez devido a esses exercícios, somados a uma tendência natural, tenham feito de Miró uma mente privilegiada.
Deixou-se influenciar por todas as correntes de arte com que tomou contacto, Cubista, Surrealista, Abstraccionista, sendo facilmente assimiladas nos seus trabalhos, onde tudo ia sendo absorvido, processado, misturado, temperado e apresentado, como uma maneira própria e extremamente rica de interpretar o mundo. Miró procurava mostrar a realidade de uma forma simplificada, quase infantil, simbólica, sem a complexidade e o mistério de um surrealismo tipo Salvador Dali ou René Magritte.
Em 1941, concebeu a sua mais conhecida e bela obra 'Números e constelações em amor com uma mulher'. A sua grande criatividade conduziu-o a experimentar em campos tão diversos como gravura, cerâmica, escultura e tapeçaria. Criador de novas técnicas nos trabalhos de cerâmica e de uma maneira peculiar de exercer o ofício de pintor, Miró foi premiado, agraciado com títulos e homenageado nos quatro cantos do mundo, superando amplamente todas as dificuldades iniciais encontradas na juventude e no início da idade adulta. No fim da sua vida reduziu os elementos da sua linguagem artística a pontos, linhas, alguns símbolos e reduziu a cor, passando a usar basicamente o branco e o preto, ficando esta ainda mais Naif. Com 90 anos, acabou por falecer em Palma de Maiorca, curiosamente num dia de Natal.
...
Els números i les constelacions en l'amor amb una dona!
 Obviamente que me identifico com Joan, com Miró, com a sua inspiração...
Na Simbologia, nas Constelações...  No Todo que é O Amor A Uma Mulher!

FerdoS

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Un Monsieur Moleskine...




Quem nunca viu ou possuiu este objecto sem nome?!...
Rectangular e preto. De cantos arredondados
e aconchegado num elástico na mesma cor.
Uma fita marcadora, interior ou exterior, uma bolsa expansível
no recheio e uma lombada costurada que permite que ele
permaneça plano enquanto aberto.
Produzido por um pequeno encadernador francês durante mais
de um século, este companheiro de viagem, de cruzada,
de esboços e anotações, de histórias e idéias, tornar-se-ia lendário.
O seu nome é devido a um tipo de tecido e...e que ele não possui!
Claro que me refiro ao adorado Moleskine.
Percorreu  as mãos e os sentires de artistas e poetas vanguardistas,
imortalizando-se com nomes como Van Gogh, Picasso,
Henri Matisse, André Breton, Ernest Hemingway,
Bruce Chatwin ou Louis Férdinand Céline.



Mas em 1986 a papelaria que os fornecia em Paris
cessou a sua distribuição, ficando-se a saber que o último
fabricante de moleskines, uma pequena empresa familiar
estabelecida em Tours, descontinuara a sua produção
naquele ano, após o falecimento de seu proprietário.
Por incrível que possa parecer a marca Moleskine
foi registrada oficialmente apenas em 1996, por uma
empresa italiana, e voltando a ser lançada dois anos depois.
Mais tarde, em 2006, um fundo de investimento francês
comprou a empresa italiana, voltando assim
o 'Rectangular preto' à sua pátria.
Hoje podemos encontrá-lo nas lojas da especialidade
e até nas grandes superfícies comerciais.
 Em jeito de rodapé, posso afirmar que o Moleskine é:
simples, elegante, bonito e inspirador, 'Un Monsieur' quase perfeito.
E, num esboçado sorriso, sim, também o tenho!

FerdoS