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domingo, 8 de agosto de 2010

Em cada Átomo de mim...

As Artes têm destas coisas. Sentimentos e sensações. Sentir é a palavra certa. Na poesia, na música, no teatro, no pintar, em tantas e tantas formas de Criar. Em casa, no palco ou ao ar livre, todos tem o mesmo objectivo…Tocar-nos! Felicidade ou tristeza, dançar ou introspectivo no seu lugar. Em monólogo ou aberto diálogo, real ou surreal… 
Atingiremos O Dia em que todos poderemos criar, em que substituiremos destruir por instruir, em que rir ou chorar será sempre uma das formas puras de amar. 
Hoje recordo aqui um daqueles momentos especiais. Especial para o artista em mim, especial para esse ser que habita aqui. As Artes têm destas coisas. Já dei telas e já as vendi. Já recebi elogios e agridoces comentários, ora cobertos por geleia, ora embebidos em fel. Já vi entrega no adorar e desprezo no apreciar. Sim, já vi. Mas a alegria deste riquíssimo viver tem os tais instantes em que sentimos o poder do Ser Supremo, podendo dar-lhe o nome que se quiser. 
Num passado recente ao expor um dos meus trabalhos a outros olhos que não os meus eis que Ele estava ali! Teria O Dia chegado?!... 
O olhar fixava a tela e, sem palavras, o saco lacrimal começara a jorrar! Primeiro chuva de Outono e depois rio transbordante de pleno Inverno. Fiquei imóvel e silencioso por eternos segundos. O coração hesitava entre parar de bater ou simplesmente correr. Ao seu redor os aromas eram primaveris e a luz que cintilava era de Verão. 
Existiria alguém que o sentiria como eu?!... 
Acalmei o meu ser e no meio de um tímido sorriso também o rio salgado correu em mim… Pura magia na nobre arte que se cria com alma e dedicação. Que elogio sentido em cada Átomo de mim! E digo-vos, a vida é bela sim!
                                                     FerdoS

(Foto by FSerrano: parcela de uma tela ainda incompleta e sem nome)


segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Casa de Rembrandt...


No meio de moinhos que não cheguei a percorrer e entre tulipas multicolores 
que cheguei a trazer, um dos sentires andava no ar. 
Cores e mais cores coloriam o meu ser nesta Amstellerdam de encantar. 
Percorriam-se os canais, as ruas antigas e pouco iluminadas. Aromas. 
O frio antes de nevar gelava. 
Procurava sabores e longe estava eu de imaginar 
que uma das melhores refeições estaria algures no bairro chinês. 
Assim aconteceu num inesperado prazer. Divino paladar!


Esta breve introdução em cores, aromas e sabores, 
apenas nos serviu para aguçar os sentidos na deliciosa arte de bem descobrir. 
Procurar e Encontrar. Sonhos e Felicidade. Presença e Saudade. Eternizar.
E ali ao lado, num belo momento partilhado...
A Casa de Rembrandt ,ou Rembrandthuis em neerlandês, é um desses casos.
Como seria?... Como É?... Como foi?... Respondo 'Será sempre!'
Entremos então...


Entramos e logo nos deparamos com uma paragem no tempo.
Remodelado sim, mas tudo está lá. As telas, os pincéis e as cores. 
Rascunhos e esculturas, compassos e réguas. 
Ponta-seca, buril e água-forte. 
Algumas provas de estado, provas do artista...
'A prensa de madeira, sem Gutenberg!' - E sai-me um sorriso. 


As suas gravuras exigem uma certa proximidade, provocando-nos um diálogo surdo em nós, 
pois Rembrandt van Rijn continua por ali... e também Pieter Lastman andará por lá.
Continuemos a visita, não deixemos os anfitriões esperar.
E, na grande Alma do Mundo que nos transcende a matéria, Caravaggio gostaria.

FerdoS

domingo, 18 de abril de 2010

La Lampe Allumée...


La Lampe Allumée - The Lighted Lamp
Mix-media 2010 ϜSΣRRANΦ ©

Uma rua vazia de rostos…
O fim de uma estação perpetuada na memória…
Uma parede cravada de sonhos…
Um parapeito de uma janela fechada…
Um suporte antigo deixado ao acaso…
No candeeiro um novo mundo.
Tudo começou com um conceito banal, moldura de humanas questões sacudidas pelo tempo e sob este cenário, no alto, como um tesouro deixado à mão, encandeia a luz.
O ser precisa de vida nascente e na despedida dos dias frios, filamentos azuis, labaredas geladas, evocações de uma selva invulgar…
Na Alma do Mundo encerra-se a promessa da perpétua iluminação, sacudidas as lendas do silêncio hibernado, o sentimento abre-se como um fecho pintado de novas crenças assumidas em nós.
Na dança ritual da água cruzam-se tonalidades contrárias e as moléculas, agora perfeitamente ordenadas, deixam que a luz atravesse o instante… na força translúcida de um diamante.
GM