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quarta-feira, 24 de março de 2010

Malangatana... Um Artista pela Paz.


A coruja agoira-me
e diz-me que nunca chegarei
além onde o desejo me leva
e assim evapora-se o sonho;

O tambor foi tocado
na noite densa do feitiço
enquanto Kokwana Muhlonga
apitava o Kulungwana mortal;

Na noite sem estrelas
dois gatos pretos iluminaram a cabana da Kokwana Hehlise
que morreu depois dos gatos terem miado.

Eu lutando comigo só
é impossível vencer as ondas
que feitiçeiramente me esboçam
as corujas, gatos e tambores.

Poema de Malangatana


Natural de Matalana, no sul de Moçambique, onde nasceu em 6 de Junho de 1936. Fez os primeiros estudos na Escola da Missão Suíça de Matalana e na Escola da Missão Católica de Ntsindya, em Bulaze. Aos 12 anos foi viver para Lourenço Marques (actual Maputo), onde veio a frequentar o Núcleo de Arte. Em inícios de 60 efectuou a sua primeira exposição individual.
Criador multifacetado, o trabalho de Malagatana atesta inegavelmente o vigor das suas raízes africanas. Essencialmente autodidacta, produziu uma vasta obra no campo da pintura e é hoje um dos artistas africanos mais reconhecidos no plano internacional.
O trabalho de Malangatana projecta uma visão ousada da vida onde há uma comunhão entre homens, animais e plantas. Baseia-se na sua herança mas simultaneamente abraçando símbolos de modernidade e progresso, síntese entre arte e política.Também desenvolveu actividade artística nas áreas da dança, música, poesia (revista 'Black Orpheus' e antologia 'Modern Poetry from Africa', por exemplo), teatro, tapeçaria, cerâmica, escultura e murais.


Entre inúmeras distinções, recebeu a Medalha Nachingwea pela contribuição dada à cultura moçambicana e é Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Foi ainda galardoado pela Unesco enquanto artista pela paz, e foi-lhe atribuído o Prémio Príncipe Claus da Holanda, pela sua grande influência nas artes (sendo também um dos fundadores do Movimento para a Paz).
O reconhecimento do seu estatuto está presente na declaração proferida pelo Director-Geral da UNESCO, Federico Mayor ao entregar-lhe a distinção: 
'Muito mais do que um artista, é alguém que demonstra que existe uma linguagem universal, a Linguagem da Arte, que permite comunicar uma mensagem de Paz.'

FerdoS

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Mon Amour... Pompidou!



Se existe um Lugar que me eleva neste meu artístico levitar
ele está aqui! Ohhh...minha adorada cidade-luz!... Meu amado Paris multi-cultural!...
Bem no centro desta enorme metrópole, eis o meu Centre George Pompidou.
Mon Amour... Bien sûr.

 

De arquitectura Pós-Moderna ou verdadeiramente High-Tech, o seu nascimento para o novo mundo data de 1977, sendo baptizado com o pomposo nome de um ex-primeiro ministro francês. E digo-vos, ficou-lhe bem.

 

No seu precioso recheio alberga museus, bibliotecas, teatros, ateliers e, evidentemente, uma imensidão de obras de arte que nos satisfazem os sentidos, encantando desde o mais conservador critico de Arte, ao mais liberal visitante ou Belas Artes estudante.

 

Já o visitei por duas vezes, prolongado prazer neste explorar, e desejo novamente pode-lo revisitar. Desta vez, espero, sem deixar alguém à minha espera para um almoço partilhado e um pouco atrasado (Pardonnez-moi mon ami! lol).
Tanto e tanto para ver, para sentir, que seria injusto apenas alguns artistas nomear... Mas, posso-vos confidenciar, muitos dos meus favoritos, sim, estão Neste Lugar!

 

Sigo até ao terraço, visão privilegiada sobre Paris, o Nobre Sentir dá lugar ao Sorriso Universal e por breves instantes julgo ouvir na brisa que me abraça "Não nos atrasemos, pois temos um voo para apanhar!". Um arrepio recorda-me onde estou e...
"Au revoir Mon Amour."

FerdoS